
A actividade de formador encerra hoje funções alargadas e que são normalmente acompanhadas por um nível de responsabilidade situado muito para além dos saberes tradicionais de um profissional na área da educação.
A multiplicidade e, simultaneamente, complexidade das relações com outros interlocutores tornam a sua existência incontornável, complexa e flutuante, já que as formas de vida, valores, modos de trabalho podem ser muito diferentes.
Se considerarmos como exemplo os tempos de actuação do formador, por comparação com outros profissionais próximos como sejam o gestor de formação ou decisor de uma estrutura formativa, rapidamente nos apercebemos que existe um descompasso. O formador actua de forma lenta, ponderando a efectividade das situações em presença e a sua projecção no futuro. Por seu turno, um gestor de formação preocupa-se, e a sua avaliação assim o dita, com a rapidez da execução da formação. A confrontação com os resultados é preocupação de ambos, no entanto ao formador é-lhe frequentemente pedido que esclareça o futuro. Ao formador é-lhe muitas vezes solicitado que desempenhe o papel de consultor, que seja o garante dos investimentos imateriais, os seus horizontes são mais longínquos.
A visão alargada no espaço e no tempo orientada para pensar em alternativas, em não eliminar demasiado depressa outras possibilidades, traduz-se no cultivo da dúvida e do espírito crítico, passando pelo equacionamento global das mudanças individuais e colectivas que lhe é exigido que suscite nas transformações que procura promover.
Actuando muitas vezes num regime de incerteza, turbulência, polémica, o formador tende compreender que qualquer mudança pode ser percepcionada como uma ameaça por aqueles a quem ela influencia, e que é necessário, sistematicamente, muito tempo para compreender e aprender todas as suas implicações.

